Cópia do Tombo de 1564
Nível de descrição
Documento simples
Código de referência
PT/MVNF/AMAS/PSTG/001/000002
Tipo de título
Atribuído
Título
Cópia do Tombo de 1564
Datas de produção
1826-10-12
a
1826-10-12
Dimensão e suporte
1 livro (27 f.); papel.
História administrativa/biográfica/familiar
O Tombo de GaviãoO Tombo de Santiago de Gavião não é caso isolado no concelho de Vila Nova de Famalicão, mas antes está inserido num movimento mais vasto, de arrolamento, determinado pelas autoridades da arquidiocese bracarense, no contexto da Reforma da Igreja Católica na Europa. De notar que o século XVI, foi muito fértil na elaboração destes documentos no nosso concelho onde encontramos inúmeros Tombos como em: Antas - do ano de 1592; Arnoso Santa Eulália - 1589; Arnoso Santa Maria - 1551; Bairro - 1500; Bente - 1580; Brufe - 1591; Cabeçudos - 1591; Calendário 1540; Carreira - 1590; Castelões - 1535; Cavalões - 1590; Cruz - 1543; Delães - 1545; Esmeriz - 1552; Fradelos - 1554; Gavião - 1564; Gondifetos - 1542; Joane - 1509; Landim - 1556; Louro - 1571; Lousado - 1546; Mouquim - 1546; Oliveira Santa Maria - 1504; Outiz - 1552; Ribeirão - 1560; Sezures - 1549; Telhado - 1551; Vale São Cosme e São Damião - 1516; Vermoim - 1551; Vila Nova de Famalicão - 1551; Vilarinho das Cambas - 1547.O Tombo de Santiago de Gavião está datado de 13 de Setembro de 1564, e foi feito a pedido do Reverendo Padre Manuel da Cunha, Abade de Tagilde e de Santiago de Gavião, por lhe ser mandado pelos visitadores do arcebispado e conforme as Constituições Sinodais da mesma Arquidiocese. O Reverendo Manuel da Cunha pediu então aos intervenientes na feitura do Tombo “..que eles bem e verdadeiramente atombassem, aprezassem e medissem o assento da dita Igreja de Santiago de Gavião, e bem assim todas as mais propriedades, casais, vinhas, soutos, devesas e coisas que a ele pertencerem e limitarem os limites dela com as outras Igrejas...”O Abade Manuel da Cunha, não residia nem curava pessoalmente a paróquia, na qual era substituído por um capelão curador, na altura o padre Matias Bráz , de condição social inferior, já que muito provavelmente Manuel da Cunha seria membro da nobreza, pois já detinha duas Abadias: Tagilde e Gavião, das quais recolhia uma parte significativa dos rendimentos, pouco restando para os capelães curadores, que viveriam numa situação financeira muito próxima da maioria dos paroquianos, o que era muito comum no século XVI português.O Tombo de Gavião é um bom instrumento de investigação histórica da paróquia pois dá-nos uma visão da agricultura, da toponímia, das unidades de medida usadas na altura (a vara, o alqueire, o almude). Na toponímia faz referência aos lugares de Sá, Mões, Vilar, Real, Ponte, Picoto e Paço, e às propriedades agrícolas com os nomes de: Quintãs, Seara, Eira, Valdoi, Pinheiro, Oriz, Regadas, Gondeiro, Gondeirinho, Junqueira, Boca, Vinha, Casais, Sobreiro, Sobre-vala, Espinheiro, Enxurreira, Senra e Senra da Cancela, Saganhos, Casal, Moagos, Testamento, Ribeiras, Pousada e Nane.O Tombo dá-nos a informação que dentro dos limites da freguesia existiam propriedades do Mosteiro de Santo Tirso, do Mosteiro de Requião e da Igreja de Santiago de Antas.Quanto ao património próprio da Igreja Paroquial de Gavião, o único que vem inventariado no Tombo de forma exaustiva, com todas as medidas das propriedades, bem como as confrontações e quantidades que poderiam levar de semeadura, árvores de fruto ou vinho recolhido, etc., encontra-se quase exclusivamente em Gavião mas também nas vizinhas freguesias de São Martinho do Vale e Santiago de Antas; o património paroquial fundiário dividia-se em 7 campos, 2 vinhas, 3 devesas, 2 bouças, 22 leiras, 2 cortelhos e 4 talhos (talhões), que levavam, ao todo, de semeadura, 119 alqueires (mais ou menos 119 razas), já que se não poderiam por os rendimentos de cada propriedade em cereais colhidos (trigo e centeio), pois as quantidades das colheitas variavam consoante os anos fossem bons ou maus; colhiam-se também 155 almudes de vinho, haviam 22 carvalhos da paróquia e recebiam-se 5 galinhas anualmente. Este património fundiário foi reunido, fruto das doações dos paroquianos benfeitores ao longo dos séculos.A outra parte do Tombo, que era fundamental na organização paroquial, diz respeito aos limites físicos da freguesia e nada melhor temos para acabar este breve estudo do que a transcrição da Leitura Nova do Tombo de Santiago de Gavião, elaborada no ano de 1993, cujo teor é o seguinte: “Confrontações dos Limites desta Igreja de Santiago de Gavião porque parte com as Igrejas Comarcãs, convém a saber: parte com Santiago de Mouquim, pelos morousos que estão acima da estrada que vem de Braga para Vila Nova, digo Marmoirães, e dali vai ter à Pedra do Ouro, por onde começa a partir com Santa Maria Madalena de Vila Nova (actual Vila Nova de Famalicão), e do Penedo do Ouro, vai às cavas da vinha de Real e à oliveira de Mões e dali vai ao Penedo da Seara, e do Penedo da Seara vai ao longo do giestal de Gonçalo Martins e Pêro Anes, a um penedo que está no cabo do mato do giestal entre Gonçalo Martins e Pêro Anes e Fernão Anes e dali às pedras do Picoto de Simão Gonçalves, aqui acaba com Vila Nova, e dali vai pelo muro da vinha de Antônio Martins, que está entre o Picoto de Simão Gonçalves da Maia e a vinha de Antônio Martins e dali vai pelo o caminho à cancela da Regada, e dali vai ao longo do Cortelho da porta e leva o campo da regada todo para o Aguião até entrar no Ribeiro de São Fins e dali, vai pelo Ribeiro acima, de São Fins, e aqui acaba de partir com Santiago de Antas, que começou desde o penedo do giestal, de Gonçalo Martins e Pêro Anes, atrás, e da eira de São Fins, pelo ribeiro acima até ao campo do Ervilha, da vinha que ficou de Sebastião Álvares, até aqui parte com o Mosteiro de Requião, e dali parte com São Martinho, Câmara do Arcebispo (é São Martinho do Vale), pela bouça de Antônio Anes de Tejão, o velho, da qual leva pouco mais ou menos o terço dela, a dali atravessa o Monte das Penas e vai ter pelo rodízio do Moinho alveiro de Grilo onde acaba de partir com São Martinho e dali parte com Santiago da Forca (actual Santiago da Cruz), pela cancela da Agra de Pousada e dali vai ter ao penedo de Novelhos e dali atravessa por cima das figueiras do Couço e entre o penedo do Novelhos e as figueiras do Couço, está uma bouça, que traz Jácome Álvares, pelo meio da qual bouça parte o limite destas Igrejas de Santiago de Gavião e Santiago da Forca, e das figueiras do Couto, vai por baixo dos penedos de Pena Fendida e dali vai por baixo dos penedos de Penouços e atravessa a estrada que vem de Braga para o marmoiral que está sobre as bouças deMartinho Afonso de Tarrio, que é onde começa com Santiago de Mouquim.”In Tombo de Santiago de Gavião, Leitura Nova, Luis Gonzaga Cardoso de Almeida,1993.Bibliografia: Vila Nova de Famalicão nas Memórias Paroquiais de 1758, José Viriato Capela e António Joaquim Pinto da Silva, Edição da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, ano de 2001; Dicionário de Historia Religiosa de Portugal, Direcção de Carlos Moreira de Azevedo, Circulo de Leitores, ano de 2000; História Religiosa de Portuga Direcção de Carlos Moreira de Azevedo, Circulo de Leitores, ano de 2000; História da Igreja em Portugal, Fortunato de Almeida Livraria Civilização - Editora, ano de 1971; Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, Editorial Enciclopédia, Limitada s/d.
Âmbito e conteúdo
Fotocópia da cópia do Tombo de 1564-09-12 que está no Arquivo da Sé de Braga.
Condições de acesso
Comunicável, sem restrições legais.
Condições de reprodução
A reprodução de documentos encontra-se sujeita a algumas restrições tendo em conta o tipo dos documentos, o seu estado de conservação, o fim a que se destina a reprodução.
Cota descritiva
PSTG 2 - cx. 1depósito 3, estante 5
Idioma e escrita
Português
Características físicas e requisitos técnicos
Em regular estado de conservação.
Instrumentos de pesquisa
ODA